Esqueleto Histórico
Após o Congresso de Viena (1815), a península itálica estava fragmentada em sete Estados, vários sob domínio austríaco — e os italianos não eram italianos: eram lombardos, toscanos, napolitanos, venezianos. O Risorgimento, o movimento de unificação, nasceu dessas fraturas. Giuseppe Mazzini, que viveu exilado na Inglaterra, sonhou uma 'Itália jovem' unida e republicana e espalhou panfletos proibidos que inflamaram as elites. As revoltas de 1820, 1831 e 1848 fracassaram, mas plantaram a semente da nação. A virada veio da diplomacia e da guerra. O Conde de Cavour, primeiro-ministro do Reino de Piemonte-Sardenha, modernizou o reino e alinhou-se com a França de Napoleão III para expulsar os austríacos da Lombardia em 1859. Em 1860, Giuseppe Garibaldi — já célebre pelas guerras na América do Sul — liderou a lendária 'Expedição dos Mil': cerca de mil voluntários de camisas vermelhas desembarcaram em Marsala, na Sicília, e em poucos meses conquistaram todo o Sul. Em 17 de março de 1861, proclamava-se o Reino da Itália. Faltavam Veneza (anexada em 1866) e Roma, tomada em 1870 e transformada em capital no ano seguinte. A unificação foi, porém, mais geográfica que afetiva. O novo país era pobre, analfabeto e dividido: os italianos falavam dialetos muitas vezes ininteligíveis entre si e milhões emigraram para as Américas. A frase atribuída a Massimo D'Azeglio — 'A Itália está feita. Agora precisamos fazer os italianos' — resume o projeto que, entre a escola, o exército e o trem, durou décadas. O Risorgimento legou à Itália a monarquia de Saboia, o mapa atual e uma identidade nacional que se consolidaria de vez no século XX.
Histórias Humanas
Giuseppe Garibaldi
Garibaldi começou como marinheiro mercante e, após participar de uma revolta na América do Sul, retornou à Itália para se tornar o herói mais carismático da unificação. Em 1860, liderou a lendária 'Expedição dos Mil' com apenas 1.000 voluntários, conquistando a Sicília e Nápoles. Recusou títulos e riquezas, aposentando-se na ilha de Caprera. Quando a Itália finalmente se unificou, foi eleito deputado, mas doou seu salário aos pobres. Morreu simples, como viveu, com a famosa frase: 'A Itália está feita. Agora precisamos fazer os italianos.'
Conde de Cavour
Camillo Benso, Conde de Cavour, era o cérebro da unificação. Banqueiro, agrônomo e jornalista, modernizou o Reino de Piemonte-Sardenha com ferrovias, bancos e reformas liberais. À frente do governo, conduziu a Guerra da Crimeia ao lado da França e da Inglaterra para 'colocar a Itália no mapa europeu', costurou a aliança com Napoleão III e garantiu o apoio de Garibaldi. Morreu em 1861, poucos meses depois da proclamação do Reino, sem ver Roma tornar-se capital. Dizia: 'Sem a imprensa, não existe política.'
Anônimo
Em maio de 1860, um jovem alfaiate de Gênova vendeu seus poucos pertences e embarcou no vapor com um grupo de voluntários que zarparam em segredo para a Sicília. Vestidos com camisas vermelhas — tecido barato que viraria uniforme da expedição —, eles desembarcaram em Marsala e, em poucos meses, atravessaram a ilha inteira a pé e a cavalo, somando camponeses pelo caminho. O retorno à terra natal, décadas depois, seria narrado à família como a maior aventura de suas vidas: 'fomos fazer a Itália'.
Gancho Contemporâneo
O Vittoriano (Monumento a Vittorio Emanuele II) na Piazza Venezia em Roma é o símbolo máximo da unificação. Suba de elevador até o topo para uma vista panorâmica incrível dos Foruns Imperiais e do Coliseu.
O hino italiano, 'Fratelli d'Italia', nasceu no clima do Risorgimento (1847) e virou hino oficial só em 2017. Ouça o refrão — 'si stringono le schiere' — nos jogos da seleção e sinta o eco dos voluntários de Garibaldi.
Desde 2011, o 'Dia da Unidade Nacional' em 17 de março lembra a proclamação do Reino da Itália. No feriado, museus estatais abrem de graça — incluindo o Coliseu e o Fórum Romano.
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