Esqueleto Histórico
O peronismo é o movimento político mais marcante da Argentina contemporânea. Tudo começou em 1943, quando um grupo de militares liderado por Juan Domingo Perón assumiu o poder; como secretário de Trabalho, Perón conquistou o apoio sindical com a reforma social e trabalhistas. Em 17 de outubro de 1945, uma mobilização maciça de trabalhadores em Buenos Aires exigiu sua libertação após sua prisão política — o '17 de Outubro', o dia da fundação simbólica do movimento. Nas eleições de 1946, Perón venceu com folga, iniciando uma era de nacionalismo econômico, justiça social e direitos trabalhistas. Ao lado de Juan Domingo, sua esposa Eva Duarte de Perón ('Evita') tornou-se uma das figuras mais amadas da história argentina: lutou pelo voto feminino (conquistado em 1947), pela fundação da Fundação Eva Perón e pelos direitos dos trabalhadores e dos 'descamisados'. O peronismo, com seu justicialismo — as 'três bandeiras': soberania política, independência econômica e justiça social —, transformou o país, mas também era autoritário: a imprensa foi controlada, os opositores perseguidos e a economia estatizada criava déficits. Em 1955, um golpe militar derrubou Perón, que partiu para o exílio. O peronismo, porém, nunca desapareceu: durante as décadas seguintes os partidários mantiveram o culto a Evita (que morreu em 1952) e a Perón, que retornou triunfal em 1973 e foi eleito presidente de novo, até sua morte em 1974. Sua terceira mulher, María Estela Martínez de Perón, o sucedeu num governo que mergulhou na crise e no caos que abriria caminho para o golpe de 1976. Hoje, o peronismo é a força central da política argentina — o Justicialismo segue no centro do debate nacional — e a memória de Evita permanece viva nos museus, na arte e no imaginário popular.
Histórias Humanas
Eva Perón
Nascida pobre em Los Toldos e crescida na província de Buenos Aires, Evita chegou à capital como atriz antes de casar-se com Perón. Como primeira-dama, fundou a Fundação Eva Perón, impulsionou o voto feminino, os direitos dos trabalhadores e os hospitais populares; aos 'descamisados' dedicou uma devoção que a sacralizou. Sua morte em 1952, aos 33 anos, de câncer, desencadeou um luto nacional imenso; seu corpo — depois embalsamado, sequestrado e exilado — virou o centro de um dos mitos mais poderosos da Argentina moderna.
Juan Domingo Perón
Militar e político, Perón construiu o movimento trabalhista e o Justicialismo a partir de 1943 e governou a Argentina em três períodos (1946-1955 e 1973-1974). Seu projeto de soberania económica, justiça social e nacionalismo transformou as bases da sociedade argentina — e dividiu o país entre peronistas e antiperonistas de forma que marca a política até hoje.
Os 'descamisados' de 17 de outubro de 1945
Em outubro de 1945, dezenas de milhares de trabalhadores e sindicalistas marcharam até a Plaza de Mayo exigindo a libertação de Perón, preso pelos militares. Para os 'descamisados', Perón representava o reconhecimento dos direitos que lutavam há gerações; sua mobilização espontânea — tão citada pelos historiadores — virou o momento fundador do peronismo e do voto das massas argentinas.
Gancho Contemporâneo
O Justicialismo é o partido mais importante da política argentina: desde o retorno da democracia em 1983, o peronismo governou o país na maior parte do tempo e segue definindo o debate nacional entre peronismo e oposição — a herança do movimento de Perón é a espinha dorsal da história política argentina.
A imagem de Evita — eternizada no musical 'Evita' de Andrew Lloyd Webber, no cinema, nos murais e na arte contemporânea — tornou-se um ícone global; o Museo Evita em Buenos Aires guarda sua memória e recebe milhares de visitantes.
Em Buenos Aires, os visitantes podem percorrer os cenários do peronismo: a Plaza de Mayo do 17 de Outubro, o balcão da Casa Rosada e o Museo Evita, numa rota de memória que mostra como essas décadas continuam vivas na vida pública.
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