Esqueleto Histórico
Por quase mil anos, a península coreana foi dividida entre três reinos: Goguryeo, ao norte, militar e expansivo; Baekje, no sudoeste, cosmopolita e aliado do Japão; e Silla, no sudeste, o menor, mas o mais organizado. A luta pela hegemonia durou séculos até que Silla, aliada à dinastia Tang da China, unificou a península em 668 d.C. A capital, Gyeongju, tornou-se uma das maiores cidades do mundo na época, com mais de um milhão de habitantes e palácios reluzentes de ouro. O budismo, importado da China no século IV, floresceu como religião de Estado e produziu algumas das maiores obras da arte coreana. O Templo Bulguksa, construído em 774 pela família real, e a Gruta Seokguram, com seu Buda de granito que observa o mar, são considerados o auge da arquitetura religiosa da Ásia Oriental. Gyeongju preserva ainda o Observatório Cheomseongdae, do século VII, o mais antigo do Leste Asiático, e os túmulos reais em forma de colina, repletos de coroas de ouro e tesouros. Silla Unificada governou até 935, quando cedeu o lugar à dinastia Goryeo — que batizaria o país com um nome que ecoa até hoje: Coreia. A herança de Silla permanece viva: Gyeongju, hoje Patrimônio Mundial da UNESCO, é chamada de 'o museu sem muros da Coreia', e o orgulho nacional pelo esplendor dos Três Reinos atravessa os séculos.
Histórias Humanas
Rei Muyeol
Rei do reino de Silla que liderou a unificação dos Três Reinos. Diz a lenda que quando era príncipe, ele se vestiu de camponês para entender as dificuldades do povo. Durante seu reinado, construiu estradas, promoveu o budismo e estabeleceu alianças que permitiram a Silla derrotar os reinos rivais. Ainda hoje, sua estátua montada a cavalo guarda a entrada do Parque Nacional de Gyeongju.
Rainha Seondeok
Primeira mulher a governar a Coreia, Seondeok reinou Silla de 632 a 647, numa época em que a liderança feminina era considerada heresia pelos reinos vizinhos. Astrônoma e estrategista, patrocinou a construção do Observatório Cheomseongdae — a estrutura de 27 camadas de pedra e 12 pedras-base foi projetada para lembrar sua posição como a 27ª monarca de Silla e os 12 meses do ano. Suas previsões de eclipses e fenômenos celestes, registradas nos anais, foram tão precisas que nobres rivais a temiam.
Anônimo
Nenhum registro restou com o nome dos artesãos que esculpiram a Gruta Seokguram no século VIII, mas a precisão é a sua assinatura: o eixo da gruta alinha o Buda sentado com o nascer do sol no solstício de inverno, e os relevos de bodhisattvas seguem proporções calculadas ao milímetro. Segundo a tradição oral, o mestre escultor teria trabalhado durante anos no granito, guiado por monges-astrônomos. Hoje, a UNESCO chama a obra de 'o auge da arte budista da Ásia Oriental'.
Gancho Contemporâneo
O Templo Bulguksa e a Gruta Seokguram em Gyeongju são Patrimônio Mundial da UNESCO e as obras-primas da arte budista coreana. O Buda sentado de Seokguram, esculpido em granito no século VIII, observa o nascer do sol sobre o Mar do Japão há mais de 1.200 anos.
O Observatório Cheomseongdae é o observatório astronômico mais antigo da Ásia Oriental — e está aberto ao público no centro de Gyeongju. Combine com o Museu Nacional de Gyeongju, que abriga a coroa de ouro de Silla, para completar a visita.
As coroas de ouro de Silla, com seus galhos e folhas em forma de árvore, inspiraram designers e até o logotipo de marcas modernas. Gyeongju viu os k-dramas históricos ('sageuk') recriarem seus palácios e túmulos — e o mundo todo passou a conhecer o esplendor do reino que fundou a Coreia.
Onde esse passado está vivo
Lugares que você pode visitar hoje e que carregam a marca deste período.
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