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Evento Histórico

O jazz e a música afro-americana

1890 - 1950

Esqueleto Histórico

O jazz nasceu em Nova Orleans no fim do século XIX, da fusão dos cantos de trabalho dos escravizados, dos spirituals e do blues com as bandas de metais militares e a música crioula. No bairro de Storyville, os músicos negros transformaram o ragtime, os hinos e o blues num idioma novo: improvisação, síncopes e a conversa entre instrumentos. A partir de 1900, o jazz saiu do porto pelo rio — o cornetista Buddy Bolden, depois King Oliver e o jovem Louis Armstrong levaram a música a Chicago e ao mundo, enquanto o 'Great Migration' de afro-americanos do Sul para as cidades industriais carregava o blues: do Delta do Mississippi a Chicago, que se tornou a capital do blues elétrico com Muddy Waters e a Chess Records. A 'Era do Jazz' (anos 1920) transformou essa música na trilha sonora dos Estados Unidos: rádios, discos, salões de dança e o Harlem Renaissance devolveram ao jazz o papel de linguagem nacional — e de autoexpressão negra. Nas décadas seguintes, o swing de big bands, o bebop de Charlie Parker e a música de Count Basie e Duke Ellington consolidaram o jazz como a 'música clássica americana', admirada na Europa e no mundo. Ao lado, o gospel, o R&B e o que viria a se chamar rock'n'roll, soul e hip-hop são todos filhos da mesma árvore: a tradição musical afro-americana é o coração da música popular mundial. O legado vivo é imenso: do Preservation Hall de Nova Orleans — onde o jazz não parou um único dia — e do French Quarter que ressoa todas as noites, aos festivais de Chicago e Nova York, a 'herança afro-americana' continua a se reinventar a cada geração. A música que nasceu nos guetos do porto tornou-se patrimônio da humanidade, e caminhar pelos clubes do Tremé ou pela Frenchmen Street é ouvir, ao vivo, o idioma que os Estados Unidos deram ao mundo.

Histórias Humanas

Louis Armstrong

Cresceu no bairro pobre de Storyville, em Nova Orleans, e aprendeu cornetim num reformatório. 'Satchmo' tornou-se o músico mais influente do século XX: com seu trompete, sua voz grave e seu carisma, elevou o jazz à arte maior e levou-o ao mundo, do Cotton Club de Chicago às digressões internacionais. Nunca esqueceu a cidade natal — na velhice, se dizia 'do Mississippi', e seu coração achava que Nova Orleans 'era a única cidade do mundo'. Sua casa-museu e suas estátuas no French Quarter celebram o homem que deu ao jazz uma face universal.

Jelly Roll Morton

Pianista, compositor e 'cos' como ele mesmo se descreveu, Ferdinand 'Jelly Roll' Morton nasceu num bairro crioulo de Nova Orleans no início dos anos 1890 e afirmava ter 'inventado o jazz' — exagero de gênio, mas não de todo: foi dos primeiros a transcrever e gravar o idioma, com o 'Jelly Roll Blues' e as bandas de Nova Orleans. Sua música uniu o ragtime, o blues e as tradições crioulas e fundou a linguagem do jazz de conjunto. Hoje, seu piano e suas partituras estão nos arquivos da Biblioteca do Congresso, e sua bravata carismática lembra que Nova Orleans sempre foi cidade de personalidades.

Bessie Smith

A 'Empress of the Blues', nascida no Tennessee, cresceu cantando nas ruas e nos teatros itinerantes e, nos anos 1920, vendeu milhões de discos — o primeiro pico da música negra gravada. Sua voz enorme, com a tristeza e a força do blues clássico, influenciou todas as cantoras que vieram depois, de Billie Holiday a Aretha Franklin. Ela trabalhou com Louis Armstrong, com Fletcher Henderson e com os maiores instrumentistas da época, e sua carreira mostrou que a música afro-americana podia ser, ao mesmo tempo, arte popular e grande comércio — um marco na história de uma indústria que ainda não pertencia aos negros.

Gancho Contemporâneo

O jazz permanece vivo e reverenciado como a 'música clássica americana': nova-iorquinos lotam o Blue Note e o Village Vanguard, Nova Orleans toca todas as noites no Preservation Hall e no French Quarter, e o gênero continua a formar novas gerações de instrumentistas.

Os festivais de New Orleans — o Jazz & Heritage e os desfiles do Mardi Gras —, os clubes de Chicago fundados no blues e o National Museum of African American Music de Nashville celebram a herança que transformou a cultura mundial.

O turismo musical da Louisiana e de Chicago estrutura rotas pelas casas lendárias, estúdios como a Chess Records e os bairros históricos — da Frenchmen Street ao blues clube de Buddy Guy — onde a música se ouve ao vivo e a memória do gênero se percorre.

Onde esse passado está vivo

Lugares que você pode visitar hoje e que carregam a marca deste período.

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