Mundo Legado
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Evento Histórico

Alexandre, o Grande e a difusão do Helenismo

336 a 323 a.C.

Esqueleto Histórico

Em 336 a.C., um jovem de 20 anos subiu ao trono da Macedônia, o reino ao norte da Grécia que seu pai Filipe II havia unificado e tornado hegemônico. Em pouco mais de uma década, Alexandre III, 'o Grande', conduziu seus exércitos da Grécia ao Egito (332), à Pérsia (331) e até os vales do Indo (326), criando em poucos anos o maior império que o mundo ocidental havia visto — e fundando umas trinta cidades com o seu nome, de Alexandria no Egito à Kandahar do Afeganistão. Alexandre foi educado por Aristóteles, e carregava consigo cientistas, filósofos e poetas — a 'expedição' era também um laboratório de conhecimento. Ao fundir gregos, macedônios e persas em casamentos e exércitos comuns, ele começou a 'helenização' do Oriente: o grego koiné tornou-se a língua franca do Mediterrâneo ao Indo, e as cidades que fundou tornaram-se núcleos de teatro, bibliotecas, ginásios e templos gregos em terras do Egito e da Ásia. Com sua morte precoce, aos 32 anos, em 323 a.C., o império despedaçou-se em reinos helenísticos — o Egipto ptolomaico (com a Biblioteca de Alexandria e o farol), o império selêucida na Síria e na Pérsia, o reino de Pérgamo —, onde a cultura grega floresceu por séculos. O grego permaneceu como língua da ciência e da filosofia (foi nela que se escreveu o Novo Testamento e que os médicos da Escola de Alexandria avançaram a anatomia), e a arte, a arquitetura e a estratégia militar gregas difundiram-se até Roma, que conquistaria o mundo helenístico e o transmitiria à Europa. O legado de Alexandre está no mapa cultural do mundo: a cidade de Alexandria, com seu museu e biblioteca, é considerada o início da pesquisa científica institucional; a arte helenística (do Laocoonte ao Altar de Pérgamo) é uma das maiores heranças da escultura; e, em Salônica e em Pella — cidade natal de Alexandre, a 40 minutos —, os mosaicos e o teatro seguem contando a história do garoto que, segundo a lenda, chorou porque não havia mais mundos para conquistar.

Histórias Humanas

Anônimo

Entre os soldados que Alexandre levou da Europa ao Indo, um macedônio anônimo guardou diários e cartas que descrevem as marchas intermináveis, os elefantes de guerra do rei Poro e o espanto diante de cidades e culturas que a Grécia não conhecia. Esses veteranos, ao se estabelecerem nas cidades fundadas por Alexandre — de Alexandria do Egito a Aï-Khanoum no Afeganistão —, levaram consigo o grego, o teatro, os ginásios e a culinária, e se tornaram a velha geração das primeiras gerações helenísticas. Foi a cola popular que fez o 'helenismo' mais que uma elite: uma camada de gregos e macedônios anônimos que, geração após geração, traduziram a cultura da pólis para o mundo inteiro.

Alexandre, o Grande

Nascido em 356 a.C. em Pella, capital da Macedônia, Alexandre foi treinado por Aristóteles e provou sua coragem aos 16 anos ao liderar a cavalaria de cavalaria do pai. Subiu ao trono aos 20 e, em 13 anos, conquistou da Grécia à Índia sem perder uma única batalha. As lendas o pintam com os dois lados: o filósofo que lia a Ilíada (guardava a cópia de Aristóteles debaixo do travesseiro) e cortava o nó górdio com a espada; o conquistador que chorou quando não havia mais mundos a tomar e o homem que mandou dizimar cidades. Sua morte aos 32 anos deixou o império sem herdeiro claro — e lançou o mundo helenístico que espalhou a língua e as ideias gregas pelo Oriente.

Aristóteles

O filósofo de Estagira, discípulo de Platão, foi contratado por Filipe II para educar o jovem Alexandre — e a síntese do mestrado: nenhum professor de filosofia teve um aluno com um impacto comparável. Aristóteles fundou o Liceu em Atenas, classificou as ciências, criou a lógica e a biologia empírica e acompanhou pela correspondência as campanhas do pupilo. A biblioteca e o teatro que Alexandre fundou no Egito, e o grego koiné de seus exércitos, foram o veículo pelo qual a filosofia aristotélica atravessou a Idade Média — traduzida em árabe, estudada nas escolas de Bagdá e de Córdoba e, daí, redescoberta pela Europa medieval. O encontro de Alexandre e Aristóteles é o símbolo de como o poder e o saber, na Grécia antiga, trabalharam juntos.

Gancho Contemporâneo

O nome 'Alexandria' ainda nomeia dezenas de cidades e o mito de Alexandre alimenta filmes, séries e o turismo da Macedônia — onde Pella, sua cidade natal, é hoje um dos sítios mais visitados do norte da Grécia, com seus mosaicos de leões e de Dionísio.

O grego koiné, difundido pelos exércitos de Alexandre, foi a língua em que se escreveu o Novo Testamento e permaneceu por séculos a língua da ciência e da medicina — eco que ainda está presente na terminologia médica, matemática e filosófica do mundo inteiro.

A Biblioteca de Alexandria e o farol, obras do Egito ptolomaico criado após a morte de Alexandre, tornaram-se símbolos do que a pesquisa científica institucional pode fazer — e a nova Bibliotheca Alexandrina, inaugurada em 2002, reavivou o legado do 'laboratório' grego.

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