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Evento Histórico

Impérios marítimos e os templos de Java Central: Srivijaya e Majapahit

séc. VII - XV

Esqueleto Histórico

Muito antes de existir a Indonésia moderna, o arquipélago hospedou dois dos maiores impérios marítimos da Ásia. No século VII, o reino budista de Srivijaya, centrado na atual Sumatra (Palembang), dominou o estreito de Malaca e as rotas de especiarias entre a China e a Índia, tornando-se um dos grandes entrepostos comerciais do mundo, com embaixadas e templos florescendo sob a dinastia Sailendra. Foi nesse ambiente de fé e riqueza que se ergueu, entre ~780 e 830, o Borobudur — a maior estrutura budista do mundo — nas planícies de Java Central, junto ao mais antigo bairro de templos do arquipélago. No século IX, a dinastia Sanjaya, hindu, construiu a poucos quilômetros Prambanan, o maior complexo de templos hindu de Java, dedicado à Trimurti (Brahma, Shiva e Vishnu). O período de Java Central foi o auge da arquitetura candi: mais de 200 templos espalhados pelas planícies de Magelang e Klaten, num esplendor que rivalizava com os maiores monumentos da Ásia continental. Com o tempo, o centro de poder migrou para o leste de Java e, em 1293, foi fundado o Império de Majapahit, que sob o rei Hayam Wuruk (1350-1389) tornou-se o estandarte do que viria a ser o território indonésio, reivindicando vassalagem sobre ilhas de Sumatra à Papua. O arquiteto da expansão de Majapahit foi o primeiro-ministro Gajah Mada, cujo 'Juramento de Palapa' — de não descansar até unir o arquipélago sob um só poder — tornou-se símbolo nacional. A corte de Majapahit foi o berço do kakawin 'Nagarakertagama' e do poema 'Sutasoma', de onde a Indonésia moderna extraiu seu lema 'Bhinneka Tunggal Ika' ('Unidade na Diversidade'). No início do século XVI, com a ascensão dos sultanatos islâmicos na costa, Majapahit desmoronou, mas seu legado — e sobretudo os templos de Java Central — permanece como o maior patrimônio da memória indonésia.

Histórias Humanas

Gajah Mada

Primeiro-ministro de Majapahit (1334-1364), Gajah Mada é o estadista mais legendário da Indonésia. Em sua posse, diante do rei e da corte, fez o Juramento de Palapa: jurou 'não comer palapa (especiarias) enquanto não unir todo o arquipélago sob Majapahit'. Sob Hayam Wuruk, liderou campanhas que subjugaram Bali e quase todo o arquipélago, criando um império marítimo lembrado até hoje no nome dado a estradas, estádios e no imaginário nacional — a unificação que nasceu dele inspirou a própria ideia de uma Indonésia una.

Rei Hayam Wuruk

Regente do auge de Majapahit (1350-1389), Hayam Wuruk — apelidado 'Rajasanagara' — governou sob a sombra genial de Gajah Mada, mas foi ele quem consolidou o apogeu político e cultural do império. Sua corte, descrita no 'Nagarakertagama', tornou-se o centro das artes javanesas, e o próprio poema — escrito por Mpu Prapanca — é hoje tratado como documento histórico e literário nacional.

Gunadharma (lenda do arquiteto de Borobudur)

Segundo a tradição javanesa, o Borobudur foi projetado por Gunadharma, um arquiteto lendário que, numa época em que Java ainda tinha carvão para transportar as pedras, teria concebido o monumento como um 'mandala na rocha'. As fontes da lenda são orais e medievais — mas a figura sintetiza o talento anônimo que construiu as maravilhas de Java Central, e muitos guias ainda falam do 'Gunadharma' ao explicar o mistério das 2 milhões de blocos de pedra que formam o maior templo budista do planeta.

Gancho Contemporâneo

Borobudur e Prambanan permanecem os maiores templos budista e hindu do mundo, visitados por milhões por ano e restaurados como Patrimônio Mundial da UNESCO — Yogyakarta é hoje o portão dessas maravilhas, com o 'sunrise' do Borobudur e o show do Ramayana Ballet em Prambanan.

O lema nacional 'Bhinneka Tunggal Ika', inscrito no brasão da República, nasceu de um poema da era Majapahit — o jamboree de 'Unidade na Diversidade' transformou a memória dinástica em fundamento da nação indonésia moderna.

A arte do wayang kulit (teatro de sombras) e o gamelan, que floresceram na corte de Majapahit e de Java Central, seguem vivos em Yogyakarta — declarados patrimônio imaterial da UNESCO e apresentados todas as noites nos palcos e ateliês da cidade.

Onde esse passado está vivo

Lugares que você pode visitar hoje e que carregam a marca deste período.

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