Mundo Legado
Voltar para eventos

Evento Histórico

A chegada do Islã e o Sultanato de Mataram

séc. XV - XVIII

Esqueleto Histórico

A partir do século XIII, mercadores muçulmanos de Gujarate, Árabia e China introduziram o Islã nas rotas comerciais do arquipélago, e entre os séculos XV e XVI a nova fé se espalhou rapidamente pelas costas de Sumatra, Java e Malaca. Em Java, a difusão foi liderada pelos Wali Songo — os 'nove santos' —, entre eles Sunan Kalijaga, que usou o teatro de sombras (wayang kulit) e o gamelan para aproximar a mensagem da cultura javanesa. O primeiro sultanato islâmico de Java, Demak (fundado ~1475 por Raden Patah, filho do último rei de Majapahit), marcou o fim do império hindu e o início de uma era de pequenos reinos muçulmanos. No período entre 1584 e a primeira metade do século XVII, o Sultanato de Mataram (agora parte da já forte coalizão do centro de Java) unificou a maior parte de Java Central e Oriental sob a dinastia islâmica de Panembahan Senopati e, sobretudo, de seu neto Sultan Agung (1613-1645). Sultan Agung é reverenciado como o maior soberano javanês: expandiu o território, reorganizou o calendário javanês, e lançou duas ofensivas contra a VOC (a Companhia Holandesa das Índias Orientais) em Batavia (1628 e 1629), ainda que nos dois atos tenha sido derrotado pela fome e pelas doenças que assolaram seu exército nos cercos. O Islã javanês, porém, jamais se desligou das raízes locais: o kejawen, a síntese entre a fé muçulmana e as tradições animistas e hindus, moldou cortes, templos e rituais. Com a pressão holandesa, o Império de Mataram dividiu-se (primeiro em 1749 e, pelo Tratado de Giyanti em 1755, em duas cortes), dando origem ao Sultanato de Yogyakarta e à Sunanate de Surakarta, que sobrevivem até hoje. O Kraton de Yogyakarta, com seu sultão ainda no trono, é o elo vivo entre essa história e o presente.

Histórias Humanas

Sultan Agung

Sultan Agung Hanyakrakusuma (1613-1645), neto de Senopati, tornou-se o herói nacional de Java: sob seu governo, o Sultanato de Mataram unificou a maior parte de Java e desafiou o poderio holandês atacando Batavia por duas vezes (1628-29). Ele também reformulou o calendário javanês e a filosofia do 'manunggaling kawula gusti' (a união do governante com o povo). Sua resistência é celebrada em Java — em Yogyakarta, seu nome batiza a universidade islâmica local, a UII (Universitas Islam Indonesia).

Raden Patah

Fundador do Sultanato de Demak (~1475-1518), Raden Patah era filho de Kertabhumi, o último rei de Majapahit, com uma mulher chinesa. Educado em ulemás e apoiado pelos Wali Songo, estabeleceu o primeiro sultanato islâmico de Java e, com a queda de Majapahit (1527), tornou-se o arquétipo do rei-santo muçulmano javanês — o elo entre o último baluarte hindu e a nova era islâmica.

Sunan Kalijaga

Místico e missionário do século XV, Sunan Kalijaga é o mais reverenciado dos Wali Songo: pregou o Islã usando as ferramentas da cultura javanesa — o gênero literário do 'tembang' (canção), o teatro de wayang kulit e o gamelan — para tornar a nova fé acessível ao povo. A 'Makkah Jawa' de Demak e o sincretismo que define o Islã javanês até hoje são sua herança; o nome Kalijaga ainda se repete em sabonetes, sociedades e lojas de Java.

Gancho Contemporâneo

O Kraton de Yogyakarta segue vivo: o sultão Hamengkubuwono ainda reina como governante hereditário e, desde 2012, também como governador nomeado — uma monarquia muçulmana que convive com a democracia moderna e recebe visitantes nas alas abertas ao público.

O Sekaten, o festival de sete dias que mistura o gamelan sagrado da corte com o mercado noturno da praça Alun-Alun, celebra todos os anos, em Yogyakarta, a fusão entre o Islã e as tradições javanesas que nascia com os sultanatos.

A arquitetura dos palácios e mesquitas do período — do Kraton de Yogyakarta aos pavilhões de Demak — define o skyline histórico das cidades de Java Central e inspira a ornamentação e o design javaneses até hoje.

Onde esse passado está vivo

Lugares que você pode visitar hoje e que carregam a marca deste período.

Outros eventos de Indonésia

Impérios marítimos e os templos de Java Central: Srivijaya e Majapahit

Yogyakarta · Indonésia

séc. VII - XV

Muito antes de existir a Indonésia moderna, o arquipélago hospedou dois dos maiores impérios marítimos da Ásia. No século VII, o reino budista de Srivijaya,…

Por que importa hoje

Borobudur e Prambanan permanecem os maiores templos budista e hindu do mundo, visitados por milhões por ano e restaurados como Patrimônio Mundial da UNESCO — Yogyakarta é hoje o portão dessas maravilhas, com o 'sunrise' do Borobudur e o show do Ramayana Ballet em Prambanan.

turismo

Conheça: Gajah Mada

Batavia e a era colonial holandesa

Jakarta · Indonésia

1619 - 1942

Em 1602, a VOC (Companhia Holandesa das Índias Orientais) — a primeira multinacional da história, com ações e monopólio de especiarias — arrematou o comércio…

Por que importa hoje

O bairro de Kota Tua de Jakarta, com a antiga Prefeitura (agora Museu de História) e os canais de Batavia, é hoje um dos polos culturais mais visitados da cidade — filmar, passear e entender ali a história colonial holandesa é parte do roteiro obrigatório da capital.

turismo

Conheça: Jan Pieterszoon Coen

Proclamação da independência e a luta pela soberania

Jakarta · Indonésia

1942 - 1949

Em 1942, o Japão ocupou as Índias Orientais Holandesas, pondo fim a três séculos de domínio colonial europeu e anunciando, na propaganda, que a guerra traria a…

Por que importa hoje

Em Jakarta, o Monumento Nacional (Monas) — a torre de 137 m erguida para comemorar a luta pela independência — e o Museu Nacional da Indonésia guardam a memória da proclamação; todos os anos, em 17 de agosto, a República celebra com o hasteamento da bandeira no palácio.

história

Conheça: Soekarno

Experiências

Experiências de quem visitou

Compartilhe sua experiência e ajude outros viajantes.

Quer compartilhar sua experiência? Entre na sua conta ou cadastre-se.
Carregando experiências...