Esqueleto Histórico
Desde 1666, o Marrocos é governado pela dinastia alauita, que reivindica descendência do profeta Maomé através de Hassan, neto do profeta. A dinastia chegou ao poder após um período de fragmentação e luta pelo controle do reino, consolidando-se com Moulay Rashid e depois com Moulay Ismail (r. 1672-1727), um dos governantes mais poderosos e controversos da história marroquina: durante seu reinado de 55 anos, unificou o país, construiu a capital imperial de Meknes (com as muralhas, os palácios e a Heri el-Mansour), mobilizou um exército de escravos negros (os Abid el-Bukhari) e fez do Marrocos um ator importante no comércio mediterrâneo e transatlântico. O século XIX e início do XX trouxeram pressões europeias crescentes: o Marrocos perdeu territórios e autonomia, e em 1912 foi dividido em protetorados franceses e espanhóis pelo Tratado de Fez. A cidade de Casablanca, outrora uma pequena vila de pescadores, cresceu rapidamente sob o protetorado francês, transformando-se na capital econômica. A luta pela independência, liderada por figuras como Allal al-Fassi e o partido Istiqlal, culminou em 1956 com o retorno do rei Mohammed V do exílio e a proclamação da independência. O reinado de Hassan II (1961-1999) marcou meio século de governo autoritário, com exílios políticos, a tentativa de golpe de 1971 e 1972, a Marcha Verde de 1975 pela anexação do Saara Ocidental, e a consolidação do poder. Seu sucessor, Mohammed VI (desde 1999), modernizou o país: o novo código de família (Mudawana, 2004) ampliou os direitos das mulheres; a língua amazigh foi reconhecida como cooficial (2011); o Marrocos tornou-se um parceiro econômico importante e anfitrião de eventos internacionais. O reino, hoje com mais de 37 milhões de habitantes, permanece uma monarquia alauita — a mais antiga linhagem reinante da África e do Oriente Médio.
Histórias Humanas
Mohammed V
Mohammed V (1909-1961), o 'rei do povo', é considerado o pai da independência marroquina. Após a Segunda Guerra Mundial, sua recusa em apoiar o regime de Vichy e a deportação dos judeus marroquinos o tornaram símbolo de resistência. Exilado pelos franceses em 1953 e restaurado em 1955, Mohammed V negociou a independência em 1956 e trabalhou para construir um Marrocos moderno. Seu mausoléu em Rabat, construído no local histórico ao lado da Torre Hassan, atrai peregrinos e visitantes que prestam homenagem ao líder nacional.
Allal al-Fassi
Oovrang político e teórico, Allal al-Fassi (1910-1974) foi um dos fundadores do partido Istiqlal (Independência) e a voz da luta pela descolonização do Marrocos. Nascido em Fez, educado em al-Qarawiyyin, lutou pela independência desde a década de 1930, foi exilado e preso, e dedicou a vida à causa nacional. Após a independência, seu pensamento influenciou o nacionalismo marroquino, a política do Saara Ocidental e o papel do Islã no Estado.
Gancho Contemporâneo
A Marcha Verde — a caminhada de 350.000 marroquinos para o Saara Ocidental em 1975 — marcou a anexação do território, um legado político que ainda hoje define as relações de Marrocos com a comunidade internacional e que influencia a geopolítica da África do Norte.
O novo Código de Família (Mudawana, 2004) de Mohammed VI equiparou amplamente os direitos das mulheres marroquinas aos dos homens em casamento, divórcio e herança — uma reforma histórica no mundo árabe que ainda hoje orienta a modernização social do país.
A cidade de Meknes, capital imperial construída por Moulay Ismail, é hoje Patrimônio da Humanidade e um dos destinos mais impressionantes do Marrocos: suas muralhas, portões monumentais, celeiros (Heri el-Mansour) e o mausoléu do sultão atraem viajantes de todo o mundo.
Onde esse passado está vivo
Lugares que você pode visitar hoje e que carregam a marca deste período.
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Experiências
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