Esqueleto Histórico
Em 20 de novembro de 1910, Francisco I. Madero — um político liberal e hacendado — proclamou o Plano de San Luis Potosí, chamando o povo à insurreição contra a ditadura de Porfirio Díaz, que governava o México há 35 anos sob o lema 'ordem e progresso'. A ordem era a repressão; o progresso era a concentração de terras nas mãos dos grandes hacendados e das empresas estrangeiras, enquanto 95% dos camponeses não tinham terra. A revolução que se seguiu foi a primeira do século XX — e uma das mais violentas: em dez anos, 1,5 milhão de pessoas morreram. Os grandes líderes foram os generais que emergiram das fileiras: Emiliano Zapata, o camponês de Morelos que tomou terras com o grito 'Tierra y Libertad' e nunca traíu seus ideais (foi assassinado em 1919 por um general traidor); Pancho Villa, o bandido que virou general no norte, conquistou Ciudad Juárez e marchou sobre a Cidade do México (foi o único líder revolucionário que os jornais americanos levaram a sério); e Álvaro Obregón, o estrategista que derrotou Villa em Celaya (1915) e tornou-se presidente. A revolução teve suas frontes: o sul (Zapata, Morelos), o norte (Villa, Chihuahua) e o centro (Obregón, Sonora). O legado da Revolução Mexicana é a Constituição de 1917 — a primeira do mundo a incluir direitos sociais: artigo 3º (educação gratuita e laica), artigo 27 (reforma agrária e nacionalização do petróleo) e artigo 123 (direitos trabalhistas). Essa Constituição moldou o México moderno e influenciou constituições ao redor do mundo. Os murais de Diego Rivera no Palacio Nacional retratam Zapata, Villa e a luta popular — arte política que transformou as paredes em livros de história para um povo que em sua maioria não sabia ler. A Revolução é celebrada em 20 de novembro com desfiles, e os generais são figuras de culto: Zapata é o símbolo da dignidade camponesa, Villa o herói popular do norte.
Histórias Humanas
Emiliano Zapata
Emiliano Zapata, o 'Caudillo del Sur', nasceu em Anenecuilco, Morelos, em 1879, num povoado onde os hacendados tomavam terras comunais com impunity. Cavalheiro de bigode e chapéu, Zapata aprendeu a montar e a lutar从小 (jovem), e quando Madero proclamou a revolução, ele já lutava pelos camponeses. Seu grito — 'Tierra y Libertad!' — definiu a revolução agrária do México. Tomou terras, devolveu aos camponeses, e nunca traiu seus ideais: quando os políticos o traíram, ele continuou lutando. Assassinado em 1919 por um general traidor que o convidou para uma falsa reunião, Zapata tornou-se o símbolo da dignidade camponesa do México — e sua frase 'Prefiro morrer de pé a viver de joelhos' é a citação mais citada do país.
Pancho Villa
Pancho Villa — Doroteo Arango, nascido em San Juan del Río, Chihuahua, em 1878 — era bandido antes de ser general: roubava hacendados e distribuía terras aos camponeses, o que o tornou herói popular no norte. Quando Madero proclamou a revolução, Villa juntou-se e criou a Divisão do Norte — o maior exército revolucionário, com 50.000 homens. Tomou Ciudad Juárez, derrotou Victoriano Huerta, e em 1914 entrou na Cidade do México como libertador. Mas Villa era impetuoso: atacou Columbus, no Novo México, em 1916, provocando uma intervenção americana. Assassinado em 1923 em uma emboscada em Parral, Chihuahua, Villa tornou-se o herói popular do México — o homem que lutou contra os ricos e morreu como viveu, de revólver na mão.
Gancho Contemporâneo
Os murais de Diego Rivera no Palacio Nacional retratam Zapata, Villa e a luta popular — arte política que transformou as paredes em livros de história para um povo que em sua maioria não sabia ler. O Palacio Nacional é o local mais visitado da Cidade do México, e seus murais são a memória viva da revolução.
A Constituição de 1917, redigida na cidade de Querétaro, é a primeira do mundo a incluir direitos sociais — educação gratuita, reforma agrária e direitos trabalhistas. O artigo 27, que nacionalizou o petróleo em 1938, é celebrado anualmente como Dia da Propriedade Intelectual.
A Rota Pancho Villa no norte do México — de Chihuahua a Ciudad Juárez, passando por Parral e Columbus — é um circuito turístico que percorre os locais da batalha, as fazendas e as cidades onde Villa lutou e viveu, celebrando a memória do general popular.
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