Esqueleto Histórico
Quando o Congresso de Tucumán declarou a independência, a Argentina ainda vivia sob a ameaça de restauração realista e, ao mesmo tempo, a América hispânica permanecia dividida. Foi nesse contexto que o general José de San Martín — 'o libertador' — concebeu a estratégia de não lutar apenas contra o exército espanhol na Argentina, mas de libertar o Chile e o Peru para isolar e derrotar o poder colonial no continente. Em Mendoza, no sopé dos Andes, ele organizou o Exército dos Andes entre 1814 e 1817. Em janeiro de 1817, mais de 4.000 soldados e 1.200 voluntários cruzaram a cordilheira por seis passos distintos, numa operação de logística extraordinária que atravessou os Andes a mais de 4.000 m de altitude, com gado, munição e mantimentos. A campanha culminou nas vitórias de Chacabuco (12 de fevereiro de 1817) e Maipú (5 de abril de 1818), que libertaram o Chile; depois, em 1820-1822, San Martín navegou ao Peru e proclamou sua independência em Lima em 1821 — antes da célebre Conferência de Guayaquil com Simón Bolívar (1822), onde deixou o comando ao venezuelano. O legado da travessia dos Andes é um dos pilares da história argentina e sul-americana: o heroísmo militar, mas também a ideia de que a liberdade do país dependia da liberdade de todo o continente. Mendoza guarda o monumento do Exército dos Andes no Cerro de la Gloria, e a Ruta de los Valles e a Ruta 40 percorrem os cenários da epopeia — enquanto o nome de San Martín (herói nacional na Argentina, no Chile e no Peru) vive em praças, avenidas e escolas de toda a América hispânica.
Histórias Humanas
José de San Martín
Nascido em Yapeyú (atual Corrientes) e criado na Espanha, San Martín voltou à América em 1812 para lutar pela independência. Como governador de Cuyo, transformou Mendoza em base militar, organizou o Exército dos Andes e liderou a travessia — a proeza logística e militar mais célebre da independência sul-americana. Sua disciplina, seu senso de estratégia e sua renúncia ao poder no final o tornaram o 'Santo da espada' da América.
María de los Remedios de Escalada
Esposa de San Martín, cedeu seu apoio e seus recursos para financiar o Exército dos Andes em Mendoza, doou jóias e manteve a casa familiar às portas da campanha. Doente, permaneceu ao lado do general durante os preparativos da travessia, morrendo em 1823, meses após o retorno do comandante. Sua figura representa as milhares de mulheres de Mendoza que contribuíram com prendas, mantimentos e apoio à causa.
As mulheres de Mendoza no aguardo
Durante os preparativos, as damas mendocinas costuraram os uniformes, prepararam os mantimentos e acolheram os soldados; ao longo da campanha, esperaram a notícia de cada batalha de onde seus maridos e filhos lutavam. A tradição oral da região registra esse esforço coletivo, hoje homenageado nos atos da Fiesta de la Vendimia e no monumento do Cerro de la Gloria, que lembra o preço — e o triunfo — da travessia.
Gancho Contemporâneo
O Cerro de la Gloria em Mendoza, com o monumento ao Exército dos Andes, e o Cristo Redentor na fronteira com o Chile, erguido em 1904 sobre o passo de san — são os pontos da memória: o turismo de montanha em Mendoza percorre os cenários da travessia.
San Martín é o herói continental: seu nome batiza a avenida mais importante de Buenos Aires e a Ruta de los Valles; cada 17 de agosto a data de sua morte une Argentinos, chilenos e peruanos em celebrações cívicas em praças de três países.
O Circuito dos Andes em Mendoza combina a vinícolas da Ruta del Vino com o monumento do Cerro de la Gloria e o Cristo Redentor — uma rota que transforma a epopeia de San Martín em paisagem visitável, entre degustações e trilhas de montanha.
Onde esse passado está vivo
Lugares que você pode visitar hoje e que carregam a marca deste período.
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