Mundo Legado
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Evento Histórico

O Império Espanhol e o Século de Ouro

1516–1700

Esqueleto Histórico

Com a morte de Fernando de Aragão (1516) e a ascensão de Carlos I de Espanha e V do Sacro Império (Carlos V), os Reinos ibéricos herdaram um império de dimensões planetárias: do território americano conquistado pelos 'conquistadores' (Cortés no México, Pizarro no Peru) à Nápoles, Milão e aos Países Baixos, o monarca Habsburgo dominou 'um império onde o sol nunca se punha'. O filho, Filipe II (1556-1598), fez de Madrid a capital fixa e ergueu o colossos da função: o mosteiro-palácio de El Escorial, e de Sevilha o porto do ouro — mas o império carregava também o fardo de guerras intermináveis (na Flandres, no Mediterrâneo, contra a Inglaterra — a Armada de 1588) que esgotariam a fazenda. O 'Século de Ouro' — na verdade, os séculos XVI e XVII — foi o apogeu das artes e das letras espanholas: Cervantes publica 'Dom Quixote' em duas partes (1605 e 1615), a obra fundadora da novelística moderna; Lope de Vega, Calderón de la Barca ('La vida es sueño') e Tirso de Molina criaram o teatro nacional; e a pintura formou o triunvirato de El Greco, Velázquez (as 'Meninas' no Prado) e o tema do 'Siglo de Oro' da escola sevilhana (Murillo, Zurbarán). A literatura mística e picaresca, a poesia de Góngora e Quevedo, a teologia de São João da Cruz e Santa Teresa d'Ávila, e a arquitetura herreriana e barroca definiram uma cultura que irradiava de Madrid, Toledo e Sevilha. A monarquia, no entanto, declinou na segunda metade do século XVII: os últimos Habsburgo (desde Filipe IV e Carlos II, o 'Hechizado') perderam a guerra contra a França e a Espanha, e em 1700 a morte sem herdeiros de Carlos II provocou a Guerra de Sucessão Espanhola (1701-1714), que entregou o trono aos Bourbon franceses e a Gibraltar aos britânicos (1713). O império manteve-se imenso, mas a coroa empobreceu; os reis Bourbon (Felipe V, Carlos III) modernizaram o Estado e embelleceram as cidades com os palácios de Madrid (o Palácio Real), El Pardo e La Granja, enquanto a população americana e a mineração espanhola sustentaram um século XVIII de reformismo ilustrado. O legado desse 'Século de Ouro' é a imagem mais universal da Espanha: o Museu do Prado de Madrid coleciona as telas de Velázquez, Goya (que atravessou o século XVIII e XIX, das 'Majas' aos 'Fuzilamentos') e El Greco; o Teatro Real e o Palácio Real testemunham a opulência borbônica; e a literatura de Cervantes — traduzida para todas as línguas — percorre o mundo com o fidalgo de La Mancha. O império e o Século de Ouro definiram a Espanha como potência cultural global: o povo que levou a língua, o catolicismo e a arte a meio planeta e criou, no seu próprio território, o museu de ouro da civilização ocidental.

Histórias Humanas

Velázquez

Diego Rodríguez de Silva y Velázquez (1599-1660), o pintor da corte de Filipe IV, elevou a pintura espanhola à altura do renascimento italiano: suas 'Meninas' (1656) — o retrato da infanta Margarida com a infanta em primeiro plano e o artista diante da tela — revolucionaram a percepção da imagem e influenciaram Manet, Picasso e Dalí. Viajante, aprendi com Ticiano na Itália e deu forma ao 'Siglo de Oro': o realismo do seu 'Aguador de Sevilha', o retrato do papa Inocêncio X, a renda dos temas de corte. Suas obras no Museu do Prado permanecem a suprema referência do olhar espanhol.

Miguel de Cervantes

Soldado, cativo em Argel, cobrador de impostos e preso em Sevilha, Miguel de Cervantes (1547-1616) converteu as desventuras de uma vida em a obra-prima da literatura: 'O Engenhoso Fidalgo Dom Quixote de La Mancha' (1605, segunda parte 1615) — o livro que os críticos consideram o primeiro romance moderno. Seu herói, o fidalgo que luta contra moinhos de vento, e seu escudeiro Sancho Pança, viraram a parábola universal do idealismo e do bom senso; Cervantes morreu em Madrid no mesmo ano de Shakespeare, deixando uma das criações mais perenes da literatura de todos os tempos.

Filipe II

Filipe II (1527-1598), o 'Rei Prudente', transformou a coroa em uma burocracia de milhares de documentos e ergueu, a 50 km de Madrid, o mosteiro-palácio de El Escorial — o símbolo da monarquia contrarreformista: biblioteca, panteão, igreja e palácio num só edifício de granito. De seu escritório, governou um império planetário (de Milão às Filipinas, que herdaram seu nome) e enfrentou as guerras na Flandres e a Armada contra a Inglaterra. Sob seu reinado (1556-1598) o 'Siglo de Oro' floresceu com Cervantes e Velázquez ainda crianças; seu legado é o próprio conceito da Espanha imperial, centralizadora e devota.

Gancho Contemporâneo

O Museu do Prado de Madrid, com as 'Meninas' de Velázquez, os retratos de Goya e os primitivos espanhóis, é um dos museus mais visitados do mundo e a porta de entrada para o legado do Século de Ouro.

O espanhol, língua levada pelo Império ao Novo Mundo, é hoje o idioma materno de quase 500 milhões de pessoas — a herança mais vasta e viva do império dos Habsburgo.

O Palácio Real de Madrid e o El Escorial continuam a receber milhões de turistas anualmente, e o debate sobre a herança colonial e o patrimônio imperial permanece aceso na historiografia e na política espanhola e latino-americana.

Onde esse passado está vivo

Lugares que você pode visitar hoje e que carregam a marca deste período.

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