Mundo Legado
Voltar para eventos

Evento Histórico

A Atenas de Péricles e a construção da Acrópole

461 a 429 a.C.

Esqueleto Histórico

No século V a.C., Atenas atingiu o auge do seu poder: depois de liderar os gregos na vitória contra os persas (Maratona 490, Salamina 480), a cidade ergueu um império marítimo, a Liga de Delos, e usou essa riqueza — e a decisão de Péricles — para financiar o maior programa de construção da antiguidade: a reconstrução da Acrópole arrasada pelos persas. Sob a liderança de Péricles, o estadista que governou Atenas por três décadas (461-429), o Partenon, o Erecteion e os Propileus subiram sobre a rocha sagrada entre 447 e 432 a.C., em mármore do Pentélico, desenhados por Ictino, Calícrates e Mnesicles e esculpidos por Fídias. A Acrópole tornou-se o símbolo do poder, da arte e da religião de Atenas — e a 'idade de ouro' foi também a época dos grandes trágicos (Sófocles, Ésquilo, Eurípides), do historiador Tucídides, do filósofo Sócrates (que ensinava nas praças), do médico Hipócrates e do teatro de Dionísio. A democracia radical de Péricles pagava salário público aos cidadãos que serviam na Assembleia e nos tribunais, e encheu a cidade de obras — mas o império ateniense era duro com aliados, e a riqueza da Liga de Delos era usada para embelezar Atenas, que os rivais chamaram de 'tirano da Grécia'. A Guerra do Peloponeso (431-404) contra Esparta, desencadeada pela expansão de Péricles, destruiria essa hegemonia e adoeceu de peste a cidade que ele amava (ele próprio morreria dela em 429). O legado da impulsão pericleana se mantém: a Acrópole, Patrimônio Mundial da UNESCO, é o conjunto arquitetônico mais icônico do planeta; o Partenon, mesmo com peças dispersas em museus da Europa, é o exemplar máximo da ordem dórica; e as ideias atenienses do século V — tragédia, história, filosofia, geometria, arquitetura — continuam a fundar os currículos das universidades do Ocidente. A escultura de Vénus de Milo e o 'Discóbolo' hoje nos museus são lembranças de um esplendor que, 2.500 anos depois, ainda explica o nome 'Grécia clássica'.

Histórias Humanas

Péricles

Estratega Amado e orador extraordinário, Péricles comandou Atenas por três décadas de esplendor. Na 'Oração Fúnebre', que Tucídides reconstituiu, ele definiu a democracia ateniense com a frase que ecoa até hoje: 'Nosso governo favorece a maioria, não a minoria' — e o ideal de uma cidade onde o cidadão é simultaneamente privado e público. Foi sob seu impulso que o tesouro da Liga de Delos foi usado para construir o Partenon, obra que os críticos acusavam de 'embelezar Atenas como uma prostituta' com o dinheiro dos aliados. Fiel à sua criação, Péricles morreu em 429 a.C. da peste que atingiu a cidade que ele tanto amava — poupado, segundo Tucídides, de ver a capitulação final de Atenas em 404.

Fídias

O escultor Fídias foi o mestre das obras da Acrópole: supervisionou o Partenon e criou a estátua colossal de Atena Partenos, em ouro e marfim, hoje perdida, e a do Zeus de Olímpia, uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo. Amigo de Péricles, Fídias dirigiu o programa artístico de Atenas — e a Acrópole que vemos é, em grande parte, sua assinatura. A controvérsia marca sua história: acusado de desviar o ouro da estátua e de retratar a si e a Péricles no friso do Partenon, morreu exilado em Elis. Seus frisos e pedimentos, preservados parcialmente no museu da Acrópole e no British Museum, são a mais importante obra escultórica da antiguidade clássica.

Anônimo

A construção do Partenon empregou milhares de trabalhadores livres e escravos: pedreiros, marmoristas, escultores e carregadores que arrastaram blocos de mármore do monte Pentélico até a Acrópole ao longo de 15 anos. Desse anônimo pedreiro vêm os encaixes perfeitos e a 'curva sutil' dos degraus do Partenon, que os gregos desenharam com cálculo óptico para parecerem retos. Suas marcas de trabalho — raramente assinadas — permanecem na pedra: a prova silenciosa de que a 'idade de ouro' de Atenas foi construída também pelas mãos do povo que a democracia de Péricles elegeu.

Gancho Contemporâneo

A Acrópole de Atenas, com o Partenon restaurado e o novo Museu da Acrópole a seus pés, é o conjunto arquitetônico mais reconhecível do planeta — Patrimônio Mundial da UNESCO e o sítio arqueológico mais visitado da Grécia, símbolo do que o 'mundo legado' preserva de melhor.

As tragédias de Sófocles e Eurípides, nascidas no teatro de Dionísio aos pés da Acrópole, continuam encenadas todos os verões no Festival de Atenas e Epidauro — prova de que o teatro ocidental começou aqui e segue vivo.

A reorganização democrática de Péricles definiu os pilares da cidadania ocidental — e, no presente, a polêmica dos 'Mármores do Partenon' entre a Grécia e o British Museum mantém o legado antigo no centro do debate cultural e museológico internacional.

Onde esse passado está vivo

Lugares que você pode visitar hoje e que carregam a marca deste período.

Outros eventos de Grécia

A Civilização Minoica e a erupção de Thera

Heraclião · Grécia

c. 2000 a 1450 a.C.

Antes dos gregos clássicos, a primeira grande civilização da Europa floresceu em Creta: a minoica, nomeada a partir do mítico rei Minos, dono do labirinto de…

Por que importa hoje

O Palácio de Cnossos, escavado e reconstruído há um século, é o sítio arqueológico mais visitado de Creta e a porta de entrada da civilização que deu origem aos mitos do Minotauro — símbolo do 'mundo legado' que a ilha ainda celebra a cada verão.

turismo

Conheça: Arthur Evans

Nascimento da Democracia Ateniense

Atenas · Grécia

508 a.C.

Em 508 a.C., a cidade de Atenas inventou uma palavra e uma prática que mudariam o mundo: demokratía, o 'governo do povo'. A revolução não nasceu na Assembleia,…

Por que importa hoje

A palavra 'demokracia' e seu experimento ateniense eclodiram de 1792 a 1945 em todas as constituições modernas — e a Ágora de Atenas, onde a democracia nasceu, é hoje um dos sítios mais visitados do mundo, visitado como um 'berço' pelo qual todo político e estudante de direito passa.

política

Conheça: Clístenes, o Alcemeônida

Alexandre, o Grande e a difusão do Helenismo

Salônica · Grécia

336 a 323 a.C.

Em 336 a.C., um jovem de 20 anos subiu ao trono da Macedônia, o reino ao norte da Grécia que seu pai Filipe II havia unificado e tornado hegemônico. Em pouco…

Por que importa hoje

O nome 'Alexandria' ainda nomeia dezenas de cidades e o mito de Alexandre alimenta filmes, séries e o turismo da Macedônia — onde Pella, sua cidade natal, é hoje um dos sítios mais visitados do norte da Grécia, com seus mosaicos de leões e de Dionísio.

cultura

Conheça: Anônimo (macedônio do exército helenístico)

Independência da Grécia

Atenas · Grécia

1821 a 1829

No 25 de março de 1821, no mosteiro de Agia Lavra, o bispo Germanós e os primeiros revolucionários ergueram a bandeira da independência — e a Flamouris de cruz…

Por que importa hoje

A cada 25 de março, a Grécia celebra o feriado nacional com um enorme desfile militar e religioso na Atenas — e o azul-e-branco da bandeira com as nove listras da 'Liberdade ou Morte' tremula na Acrópole como no dia em que a nação renasceu.

ritual

Conheça: Lórd Byron

Experiências

Experiências de quem visitou

Compartilhe sua experiência e ajude outros viajantes.

Quer compartilhar sua experiência? Entre na sua conta ou cadastre-se.
Carregando experiências...