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Evento Histórico

Cinco séculos otomanos e as cidades de pedra

séculos XV–XIX

Esqueleto Histórico

Após a queda definitiva da resistência de Skanderbeg em 1479, a Albânia tornou-se parte do Império Otomano por quase cinco séculos — até 1912 —, um período que moldou profundamente o país: a religião dominante passou a ser o Islã (na forma sunita e da ordem sufi bektashi, cujo centro mundial se fixou na Albânia), a língua preservou-se nas montanhas, e as cidades se reorganizaram ao redor de bazares, mesquitas e quartos de artesãos. O interior otomano registrou em estilo notável: os viajantes do império, como o célebre Evliya Çelebi (que visitou a Albânia em 1670), descreveram com admiração as cidades de pedra de Berat e Gjirokastra, as pontes de arcos, as fortalezas e as hospedarias dos mercadores. Berat — a 'cidade das mil janelas' — ascendeu ao longo da encosta de Mangalem com casas otomanas de madeira e pedra, de janelas em cascata que se refletiam no rio Osum, protegidas pelo castelo habitado desde a Antiguidade; a mesquita do Chumbo (1555) e as igrejas ortodoxas com os afrescos de Onufri ilustram a convivência religiosa que a cidade preserva até hoje: muçulmanos, ortodoxos e católicos compartilham o mesmo bairro alto. Naquelas 'cidades de pedra', o artesanato florescia: os ourives de prata e os tecelões de Gjirokastra, celebrados nos mercados, deram origem aos ofícios que ainda hoje animam os bazares. No século XIX, o despertar nacional ('Rilindja') começou a se articular em torno da língua e da identidade albanesa, com a criação do alfabeto, as escolas e as sociedades culturais — e com a Liga de Prizren (1878), os líderes albaneses reivindicaram autonomia dentro do império. Muitos detalhes dessa herança sobrevivem: os telhados de pedra (as 'kullë'), os bazares cobertos, as torres de vigia, as fontes públicas, os cemitérios bektachi e os manuscritos de Berat, hoje Patrimônio da UNESCO junto com o centro histórico de Berat e Gjirokastra (inscritos em 2005). Visitar essas cidades hoje é caminhar por um museu vivo do Mediterrâneo otomano: as ruas de paralelepípedo, as lojas de artesãos que produzem à vista, as mesquitas e os mosteiros lado a lado, as casas de dois andares com os seus quintais — um patrimônio que o mundo reconheceu e que atrai cada vez mais viajantes em busca da Albânia autêntica, entre a lembrança do império e o renascimento de um país moderno.

Histórias Humanas

Evliya Çelebi

O grande viajante otomano Evliya Çelebi percorreu a Albânia em 1670 e deixou em seu 'Seyahatname' (Livro de Viagens) alguns dos relatos mais vívidos da época: descreveu Berat com suas casas de janelas, as fontes, os minaretes e a hospitalidade das gentes, e registrou com espanto a riqueza e a vida dos bazares de Gjirokastra. Seus escritos são hoje a mais preciosa janela textual para a Albânia otomana — e guiam ainda os viajantes modernos que redescobrem as mesmas ruas, quase 350 anos depois.

Anônimo

Os pedreiros e mestres de obra anônimos que ergueram as 'kullë' de Gjirokastra e as casas em balanço de Berat desenvolveram uma técnica única: cortar a pedra em lâminas para os telhados, esculpir portais e lareiras, e alinhar janelas em cascata para captar a luz e o ar no verão escaldante. Transmitidos de pai para filho ao longo de gerações, esses ofícios são a razão de as cidades de pedra terem sobrevivido intactas — e de alguns desses mestres ainda trabalharem hoje, mantendo viva a técnica que a UNESCO protege.

Anônimo

Os dervixes e comunidades da ordem sufi bektashi — que encontraram na Albânia seu centro — foram protagonistas de um Islã marcado pela tolerância: celebravam com cristãos, respeitavam as peregrinações e mantinham misticismo e poesia no coração dos montes (como o tekke de Tomorr, perto de Berat). Suas histórias de hospitalidade e sabedoria, guardadas nos turbe (mausoléus) e nas lendas das montanhas, explicam a secular convivência religiosa que ainda hoje impressiona em Berat e Gjirokastra.

Gancho Contemporâneo

Os centros históricos de Berat e Gjirokastra são Patrimônio Mundial da UNESCO desde 2005 — os destinos que mais crescem no país e a porta de entrada para a autêntica herança otomana da Albânia.

A ordem bektashi, com raízes seculares na Albânia, é um dos símbolos vivos da tolerância islâmica e mantém seu centro mundial no país — um contraponto contemporâneo aos estereótipos sobre o Islã nos Bálcãs.

A 'Rilindja' (despertar nacional) do século XIX ecoa na identidade atual: a língua albanesa, padronizada nesse período, é hoje uma das marcas da soberania e da unidade nacional, celebrada em escolas, arte e instituições.

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